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Polícia estima que 200 cubanos foram vítimas de esquema de tráfico humano pela fronteira do Brasil com a Guiana em 3 meses

Operação mira esquema de tráfico de cubanos pela fronteira do Brasil com a Guiana A Polícia Civil estima que ao menos 200 migrantes cubanos foram vítimas d...

Polícia estima que 200 cubanos foram vítimas de esquema de tráfico humano pela fronteira do Brasil com a Guiana em 3 meses
Polícia estima que 200 cubanos foram vítimas de esquema de tráfico humano pela fronteira do Brasil com a Guiana em 3 meses (Foto: Reprodução)

Operação mira esquema de tráfico de cubanos pela fronteira do Brasil com a Guiana A Polícia Civil estima que ao menos 200 migrantes cubanos foram vítimas desde novembro de 2025 de um esquema de tráfico humano que usava a fronteira do Brasil com a Guiana como rota de entrada no país. O número se refere apenas a uma das células da organização criminosa investigada na Operação Malecón, deflagrada nesta quinta-feira (5), em Boa Vista. Um homem venezuelano identificado como José Alberto Lira Lezama, de 32 anos, foi preso suspeito de comandar o esquema. Também foram apreendidos R$ 12 mil em espécie. O g1 tenta contato com a defesa de José Alberto. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Segundo o delegado titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Organizados (Draco), Wesley Costa de Oliveira, esse total corresponde aos três meses em que a organização montou um "hostel clandestino" com mais de 30 camas para abrigar os cubanos traficados. A polícia acredita que o número real de vítimas possa ser ainda maior. “Nós conseguimos precisar que, no mínimo, cerca de 200 cubanos utilizaram os serviços dessa estrutura criminosa nos últimos três meses, apenas dessa célula. Acreditamos que outras pessoas também tenham passado por esse esquema e por outras células semelhantes”, afirmou o delegado. As investigações apontam que o grupo atuava há pelo menos um ano, inicialmente usando casas particulares dos envolvidos para abrigar os migrantes. Com o aumento do fluxo, foi montada uma estrutura maior, que passou a funcionar como hospedagem clandestina em Boa Vista. São investigados os crimes de tráfico de pessoas e estelionato por meio do uso fraudulento de milhas aéreas. O esquema é investigado pela Draco desde o fim de janeiro, quando as vítimas denunciaram. Até o momento, as investigações apontam que os migrantes eram aliciados em Cuba e entravam no Brasil por Roraima, pela chamada "Rota das Guianas", passando por Lethem, na Guiana, com destino a Boa Vista. Rota internacional Polícia Civil apreendeu R$ 12 mil em espécie durante a Operação Malecón Polícia Civil/Divulgação De acordo com a Polícia Civil, os cubanos eram aliciados ainda em Cuba e seguiam de avião até Georgetown, na Guiana. De lá, entravam no Brasil por via terrestre, passando por Lethem, no país vizinho, até chegar a Boa Vista, em Roraima. A rota tem sido utilizada porque os cubanos enfrentam dificuldades para obter visto de turismo ou trabalho para entrar diretamente no Brasil. “Eles optam por essa rota porque não há exigência de visto para entrada na Guiana. A partir daí, fazem o percurso terrestre até o Brasil, utilizando o apoio de coiotes e de uma rede criminosa estruturada”, explicou Wesley. Segundo o delegado, Roraima vem se consolidando como rota internacional de tráfico de pessoas, especialmente de migrantes cubanos, em um cenário semelhante ao já observado anteriormente com venezuelanos. Estrutura criminosa As investigações indicam que a organização era dividida em núcleos, cada um responsável por uma etapa do esquema. Um grupo cuidava do deslocamento entre a Guiana e Boa Vista, outro era responsável pelo alojamento dos migrantes na capital, enquanto um terceiro organizava o envio das vítimas para outros estados brasileiros, por meio de ônibus ou avião. Boa parte dos cubanos tinha como destino cidades como Manaus, Curitiba, Brasília e São Paulo, segundo a polícia. Operação Malecón cumpriu mandados nos bairros Buritis e Tancredo Neves, na zona Oeste Polícia Civil/Divulgação Além do tráfico de pessoas, o grupo também é investigado por estelionato, já que passagens aéreas eram emitidas com milhas furtadas de vítimas em outros estados. Em alguns casos, os cubanos eram impedidos de embarcar ao tentarem viajar. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e apurar a atuação de possíveis novas células do esquema criminoso. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.