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Parlamento Europeu ratifica deportação de imigrantes para países fora do bloco

Brasileiros vítimas de xenofobia estão usando as redes sociais para expor o que sofreram A Europa abriu caminho para a deportação de imigrantes e requerente...

Parlamento Europeu ratifica deportação de imigrantes para países fora do bloco
Parlamento Europeu ratifica deportação de imigrantes para países fora do bloco (Foto: Reprodução)

Brasileiros vítimas de xenofobia estão usando as redes sociais para expor o que sofreram A Europa abriu caminho para a deportação de imigrantes e requerentes de asilo para uma lista de países terceiros, considerados seguros, que inclui Bangladesh, Colômbia, Egito, Índia, Kosovo, Marrocos e Tunísia. As regras mais rígidas na política migratória do bloco foram aprovadas graças à união de partidos de centro-direita e extrema direita do Parlamento Europeu e passarão a valer a partir de junho. Estes países funcionarão como centros de retorno de imigrantes, ainda que não tenham qualquer vínculo com eles. Basta que um governo europeu tenha assinado um acordo com o país de acolhimento para que o imigrante seja deportado. Ou seja, cai a exigência de um elo entre o requerente de asilo e o país terceiro. A medida requer aprovação final dos 27 membros da União Europeia, mas tem o aval da Comissão Europeia. Na prática, alguns países já estão aplicando o conceito de terceiro país seguro. A Holanda assinou um acordo com Uganda, e a Itália com a Albânia. Imigrantes africanos lotam proa de navio da Guarda Costeira da Líbia após serem resgatados de botes em meio ao Mediterrâneo a caminho da Europa, perto da cidade de Gohneima. Quatro botes com um total de 490 pessoas, entre elas 21 crianças, foram resgatados pela guarda Guarda Costeira da Líbia via AP No entender de Olivia Sundberg Diez, advogada da UE para Migração e Asilo da Anistia Internacional, as novas regras minam os fundamentos da proteção aos refugiados e atingem o cerne dos princípios fundamentais do bloco europeu. “Este ataque ao direito de asilo ocorre enquanto uma vasta gama de medidas punitivas de deportação permanece em negociação. Com esta votação, o Parlamento Europeu capitula a uma campanha de décadas para eliminar os direitos humanos", acredita a advogada. No ano passado, 155 mil pessoas chegaram ao continente em travessias precárias pelo Mediterrâneo. A ONU estima que 1.953 morreram ou desapareceram. A tragédia dos refugiados parece sensibilizar menos os europeus em relação à última década, e os partidos de extrema-direita claramente tiram proveito desse sentimento. Tragédia humanitária de imigrantes que tentam chegar à Europa ganha mais um símbolo triste - e impressionante A votação do Parlamento Europeu é mais um sinal da mudança na política migratória do bloco e demonstrou a violação do cordão sanitário que protegia os partidos da direita radical. O Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, se uniu a três grupos nacionalistas de extrema direita e teve também apoio de uma minoria de eurodeputados socialistas e centristas, num indício claro da nova dinâmica atuante no Legislativo europeu.