Manifestantes indígenas impedem funcionamento de terminal hidroviário de grãos em Santarém, no oeste do Pará
Há mais de um mês, indígenas impedem funcionamento de terminal hidroviário de grãos, em Santarém (PA) Há mais de um mês, manifestantes indígenas estão...
Há mais de um mês, indígenas impedem funcionamento de terminal hidroviário de grãos, em Santarém (PA) Há mais de um mês, manifestantes indígenas estão impedindo o funcionamento de um terminal hidroviário de grãos em Santarém, no oeste do Pará. Eles protestavam contra um decreto que foi revogado na segunda-feira (23) pelo governo federal e prometem sair em 48 horas. Dezessete etnias do Pará e de Mato Grosso participam do protesto. Desde o dia 22 de janeiro, manifestantes ocupam o acesso ao terminal de grãos da Cargill em Santarém, paralisando a operação de carga e descarga de soja e milho. No sábado (21), o grupo invadiu os escritórios do porto, como mostram imagens gravadas pelos próprios indígenas. Por causa da invasão, os funcionários tiveram que deixar os escritórios do porto. Os indígenas pediam a derrubada do decreto assinado pelo presidente Lula em agosto de 2025 que autorizava estudos para concessões de hidrovias à iniciativa privada em trechos dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins. No último domingo (22), depois da invasão do escritório do terminal, o Ministério de Portos e Aeroportos afirmou que: “O direito à manifestação é garantido pela Constituição, mas atos que gerem violência, invasões ou ocupações irregulares são ilegais e não serão tolerados”. E reforçou que o decreto nº 12.600 não trata de privatização, mas apenas autoriza a realização de estudos técnicos. Manifestantes indígenas impedem funcionamento de terminal hidroviário de grãos em Santarém, no oeste do Pará Jornal Nacional/ Reprodução Na segunda-feira (23) à noite, o governo anunciou a revogação do decreto. A revogação foi assinada pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, já que o presidente Lula cumpre agenda fora do país. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na madrugada desta terça-feira (24). Agora, os manifestantes dizem que vão sair em 48 horas. “Após as 48, a gente pode sair antes, mas é 48 horas que está no nosso prazo de desocupar toda e deixar como estava o ambiente”, diz o cacique Rogério Arapiun, liderança indígena Arapiun. O presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários disse que a invasão trouxe insegurança ao setor. “A Cargill é uma empresa privada que opera normalmente lá e não tem nada a ver com essa decisão do governo de colocar no decreto para iniciar estudos. Ela não tem nada a ver com isso. Ou seja, foi uma vítima nesse processo. Depois, houve de fato, primeiro era um bloqueio, mas de fato houve uma invasão. Isso foi amplamente divulgado. Houve invasão, pessoas com instrumentos lá depredando o patrimônio. Você sabe que o setor portuário é de grandes investimentos, não só por empresas nacionais, mas empresas internacionais. E fatos como esse – o terminal está há mais de 20 dias parado – trazem uma insegurança muito grande a uma infraestrutura crítica e tão necessária ao Brasil”, afirma Jesualdo Silva, presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários. LEIA TAMBÉM Após pressão de indígenas, governo recua e revoga decreto que previa concessão de hidrovias na Amazônia Ibama recomenda manutenção da suspensão de qualquer iniciativa de dragagem no Rio Tapajós