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Dois dias após Congresso aprovar reajustes para servidores parlamentares, Motta diz que vai aumentar verba de gabinete dos deputados

Motta diz que vai aumentar verba de gabinete dos deputados A decisão do ministro Flávio Dino veio dois dias depois de o Congresso Nacional aprovar reajuste de...

Dois dias após Congresso aprovar reajustes para servidores parlamentares, Motta diz que vai aumentar verba de gabinete dos deputados
Dois dias após Congresso aprovar reajustes para servidores parlamentares, Motta diz que vai aumentar verba de gabinete dos deputados (Foto: Reprodução)

Motta diz que vai aumentar verba de gabinete dos deputados A decisão do ministro Flávio Dino veio dois dias depois de o Congresso Nacional aprovar reajuste de salário para funcionários da Câmara dos Deputados e do Senado, com novas gratificações e compensações financeiras pagas com dinheiro público. Nesta quinta-feira (5), o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que vai aumentar a verba de gabinete dos deputados. É com o dinheiro da verba de gabinete que os deputados pagam os salários de até 25 secretários. Hoje, cada um dos 513 deputados federais tem direito a uma verba mensal de R$ 133 mil. Segundo líderes do Congresso, a verba de gabinete deve passar para R$ 165 mil. O presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que espera que o presidente Lula sancione o reajuste dos servidores. Aprovado, ele publica o ato da Mesa com o aumento da verba de gabinete - ato que não precisa passar por votação no plenário. Segundo Motta, o aumento é necessário por causa do reajuste dos servidores aprovado na terça-feira (3). Sem o aumento da verba, ele afirmou que os gabinetes teriam que demitir funcionários. Os projetos aprovados em apenas três horas na terça-feira (3) preveem reajustes, em média, de até 9%, dependendo do cargo na Câmara, e gratificações que podem chegar a 100% do vencimento básico na Câmara e no Senado. Criam, ainda, uma licença - folga por dias trabalhados - que pode ser paga em dinheiro, acima do teto do funcionalismo, que hoje é de R$ 46,366. O impacto é de R$ 592 milhões na Câmara e R$ 198 milhões no Senado. A soma deles, R$ 790 milhões, é maior do que a arrecadação de 95% dos municípios brasileiros, de acordo com levantamento do g1. Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, alerta que a criação desses "penduricalhos", instituída em lei, leva a outros aumentos: “Em uma espécie de efeito dominó sobre estados e municípios, por exemplo, as carreiras que se sintam ou que venham a se sentir também prejudicadas, vão querer uma equiparação”. Dois dias após Congresso aprovar reajustes para servidores parlamentares, Motta diz que vai aumentar verba de gabinete dos deputados Jornal Nacional/ Reprodução Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, diz que a Câmara criou despesas quando o país precisa de equilíbrio fiscal: “É um contrassenso. É uma contrarreforma o que está sendo feito no Congresso Nacional e aí particularmente na Câmara dos Deputados. O Brasil tem uma situação muito delicada quando a gente compara com outros países. A situação fiscal é o calcanhar de Aquiles do Brasil. A gente tem cada vez mais despesas sendo criadas, que criam um problema adicional para 2027”, afirma. O deputado Pedro Paulo, do PSD - relator da reforma administrativa, que propõe o fim dos supersalários - disse que a Câmara deveria dar um exemplo de austeridade: “Essa decisão mostrou que o Congresso está desconectado do que a sociedade espera de nós. É justamente o contrário. Nós temos que atacar esses privilégios, essas desigualdades que existem no serviço público. Olhar e ver uma elite de servidores que tem salários de até R$ 80 mil, R$ 100 mil, que não respeitam o teto constitucional. Isso causa uma profunda indignação por esse sentimento de desigualdade que existe também na administração pública”. LEIA TAMBÉM Congresso aprova aumento para servidores do Senado e da Câmara e abre brecha para pagamentos acima do teto Impacto com reajuste de salário para servidores aprovado pelo Congresso é maior que receita de 95% dos municípios brasileiros Dino determina que Três Poderes revisem e suspendam 'penduricalhos' ilegais do serviço público